
E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai arrumar?
Jogo da Terra & Jogo do Mar
Sermão O Quinto - Padre Antônio Vieira
Padre Antonio Vieira busca no Sermão Quinto, mostrar ás pessoas os jogos da vida, que nos levam a derrota, ou até mesmo, a vitória. O mesmo foi proferido durante as grandes navegações, onde se destacava a Índia como centro de interesse comercial, sendo as especiarias, as tintas, etc., os produtos mais cobiçados da época.Os acontecimentos que resultaram no Sermão provinham de dois jogos: o jogo do mar, e o jogo da terra. Estes, a principio encontram-se distantes um do outro, como duas retas paralelas, mas, adiante, esta visão muda, assim como as retas em um momento se curvam, e se encontram.
No texto Viera opina ao afirmar:
“(...) na mesa onde se freqüentar o jogo, cedo faltará o comer (...)”.
O Padre classifica a palavra comer como as coisas mais preciosas na vida de um homem: a autoridade; a liberdade; e, até mesmo, a religião. É neste ponto que podemos falar do jogo no mar.
“(...) O meio de que se serviu S. Francisco Xavier para salvar um jogador desesperado, quando navegava pelas águas do Golfo de Bengala.”.
Assim como foi descrito, o jogo do mar narra o fato em que um jogador aposta todos os seus bens, e os perde. Inconsolado, pronuncia blasfêmias contra Deus, e anuncia que, daquele modo, não ira aparecer diante a sociedade, e que a solução restante era atirar-se ao mar. Nesta situação, Xavier é chamado á animar o perdedor. Mas Francisco percebe que o único jeito disto acontecer, seria no momento em que o mesmo recuperasse seus bens. E assim acontece. Torna-se ao jogo, e agora quem dá as cartas é o próprio: S. Francisco Xavier. Há, então, uma contradição muito grande nas cabeças pensantes dos que o rodeavam, pois o fiel que proferia as lições do Poderoso, que antes jogava baralhos ao mar, agora estava dando cartas. Mas o inacreditável acontece. O até então sofredor recupera em um instante toda a fortuna perdida.
A partir de então S. Francisco Xavier torna-se aos olhos do Padre Antonio Vieira (e também aos meus, e quem sabe aos teus) sinônimo de jogo da vida.
Talvez possamos pensar que nada faz sentido. Por que teríamos de saber o “porque” do santo homem Xavier ter tornado-se sinônimo de jogo da vida? Podemos pensar isso. Mas não antes de entender o jogo da terra:
“(...) O perpetuo jogo supremo poder que governa o mundo, e o jogo em que Deus aparece que jogava à péla com o Reino de Israel. O jogo dos impérios e das monarquias.”.
É impossível não citar as palavras de Vieira quanto a este tema, e são por tais que dou continuidade ao mesmo:
“Visto como acabamos de ver, o jogo do mar segue-se o da terra, em que nós também entraremos com a nossa parte, e haverá tanto que admirar e aprender no que se ganha e se perde, quanto é maior cabedal que os dos dois jogadores do mar, os dos que são ou querem ser senhores de toda terra. (...) O poder divino brinca com as coisas humanas. (...) O mesmo braço deste poder, que é o Filho Unigênito de Deus, o disse, revelando a ordem dos humanos, que desde o principio da eternidade estão dispostos e decretados nos segredos da providência divina, para saírem e se manifestam á seu tempo”.
Antônio nos diz que no jogo da terra vai além do jogo do mar, pois não apenas se ganha e se perde, mas também se admira e se aprende. Logo admirando, e aprendendo, e que teremos a possibilidade de ganhar, ou, de perder. Pois, ai sim, despertará em nós o desejo de ganhar, e neste querer ganhar que poderemos um dia perder.
Mas o que é então o jogo da vida?
Com minhas palavras inicio o encerramento: o jogo da vida é “o como”, são “as coisas”, que você faz para sobreviver, os modos pelo qual você vive, mas não só os da vida mortal, mas também os da espiritual, pois essa sim nos custa caro. O jogo da vida, leitor, significa a maneira na qual você “dá as cartas”, o que você faz para salvar, e livrar, seu corpo, e, nunca esquecendo, à alma.
Mas é claro que não finalizarei esta análise sem a colocação das palavras do Padre Antonio Vieira, autor realmente responsável por esta obra:
“Mas, concluindo com o que mais importa, é certo que esta nossa vida é um jogo. (...) Bem o mostram as variedades, incertezas e riscos dela em qualquer estado. Também é certo que Deus, que nos deu à mesma vida, a compôs assim para ganharmos com ela. (...) Mas não para os lucros e a ganância. (...) Enfim, que neste jogo que o mundo chama da fortuna, não o ser má ou boa, senão o bom ou mau uso dela. Use bem cada um da sua, e sem dúvida será venturoso, principalmente se, para ganhar ou recuperar o perdido, pedir a S. Francisco Xavier que embaralhe as cartas.“.
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Bibliografia:
TAKAZAKI, Heloisa Harue. Língua Portuguesa: Ensino Médio. Vol. Único cap. 10 e 11. 1ª. Ed. – São Paulo: IBEP (Coleção vitória – Régia).
VIEIRA, Antônio. Sermões. Sermão Quinto p.206 – 222. Erechim – EDELBRA, 1998.
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